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16 de Setembro de 2019

Uber X Táxi - O lado obscuro da zona de conforto

Welington Araujo de Arruda, Advogado
há 4 anos

Na madrugada de sábado do dia 08 de agosto deste ano, 2015, na região do Itaim Bibi, um grupo de Taxistas restringiu a liberdade de um motorista do aplicativo "Uber", além de tê-lo agredido, inclusive, com socos na boca.

Segundo o motorista que preferiu manter sua identidade sob sigilo, ele foi abordado quando seguia com seu veículo Hyundai Azera preto para fazer mais uma corrida no dia. Segundo informações do Jornal Folha de São Paulo, quando o motorista chegou na rua Santa Justina, local da chamada indicado pelo aplicativo, foi cercado por aproximadamente 20 taxistas, e no momento em que tentou fugir foi agarrado e colocado dentro de um táxi por um homem armado.

Segundo o motorista, ele ficou por cerca de 30 minutos sob ameaças dos homens no táxi, tendo sido deixado na rua Funchal, aproximadamente 1,5 km de onde foi abordado.

Já o veículo, foi retirado do local por um taxista e posteriormente abandonado completamente danificado na Rua Clodomiro Amazonas, região próxima de onde ocorreram os fatos.

A Prefeitura disse que vai investigar os fatos no afã de caçar a licença dos taxistas envolvidos; a Polícia Civil disse já ter identificado pelo menos um dos agressores e que realmente trata-se de um taxista, e, ainda segundo o Jornal Folha de São Paulo, o presidente do Sinditaxi teria dito no passado que haveria "mortes" em razão da existência do aplicativo.

Diante do quadro apresentado pelo respeitável Jornal, é possível chegar a duas conclusões, a uma, que estes indivíduos que agiram com tamanha violência não podem e não devem ser chamados de taxistas e a duas que a sociedade novamente está sendo esquecida e sacrificada em seus interesses, inclusive sendo colocada em risco eminente de violência sem limites.

Ao que parece, os taxistas não estão preocupados com a regulamentação dos motoristas que utilizam o aplicativo "Uber" para trabalhar, e sim, com a clientela que vai diminuir drasticamente caso o aplicativo caia no gosto da maioria.

Normalmente, o transporte público das grandes metrópoles é caótico e a qualidade do serviço prestado deixa a desejar, o que beneficia a utilização do táxi, que sempre foi uma excelente opção quando o assunto é transporte. No entanto, e não raras vezes, muitas pessoas reclamam dos serviços prestados pelos taxistas.

Não vale dizer que agora se critica os taxistas para apoiar os usuários do aplicativo, nada disso. O que aconteceu com a chegada do "Uber" foi que alguns usuários de Táxi enxergaram que o serviço prestado pode ser muito melhor que o oferecido atualmente e por um preço acessível.

Repita-se que o que se pretende com o singelo texto não é criticar o serviço oferecido pelos taxistas, que na sua grande maioria é de qualidade e confiança, mas apenas expor que assim como ocorreu em algumas grandes capitais da Europa e Estados Unidos, o "Uber" é uma realidade que veio para ficar e qualquer tentativa de impedir sua existência atingirá o usuário, o cidadão, que sempre será a parte mais prejudicada.

A solução sempre nascerá a partir do diálogo, nunca da guerra, e assim como ocorreu em alguns lugares do mundo, a adaptação será absolutamente necessária.

O mercado é assim. A existência de um produto não impede o nascimento de outro, mas a sua inferior qualidade pode levá-lo ao desaparecimento.

Os taxistas podem concorrer de igual com os motoristas do aplicativo, basta se adaptar e absolverem uma pitada de bom atendimento.

Muitas pessoas relataram nas redes sociais suas experiências com o atendimento dos motoristas do aplicativo. Cordialidade, simpatia, presteza, água a disposição, chocolate, bala, além de conforto em razão do excelente estado de conservação dos veículos, ar condicionado ligado em uma temperatura adequada, nada de conversas indesejáveis e ainda o fato de não ter que se preocupar em ter dinheiro no momento da corrida, já que esta vem debitada no cartão de crédito.

Os taxistas podem e devem se adaptar para se manter vivo em um mercado cada vez mais exigente. Isso é possível.

Tanto assim que recentemente uma Advogada Sócia do escritório Rodrigues e Arruda teve uma excelente experiência com um taxista. O chamou por meio de um aplicativo, o Easy taxi, e rapidamente foi atendida. Um veículo Voyage/VW aportou onde ela estava e ao entrar no carro deparou-se com um motorista extremamente educado e cordial. Desejou-lhe boa noite e uma boa viagem, questionando qual seria o destino. Informado que o destino seria o bairro de Higienópolis, região próximo à avenida Paulista, este informou a Colega Advogada o trajeto que faria para chegar mais rápido sem precisar correr.

Questionou se o ar condicionado estava adequado, se tinha interesse em ouvir alguma música e ofereceu uma balinha. Quando chegou no destino rapidamente apresentou uma maquina de cartão e disse que a corrida poderia ser efetuada em débito ou crédito se assim preferisse.

Tirando a cor do veículo, o tratamento foi exatamente o mesmo oferecido pelos motoristas do aplicativo, o que demonstra claramente que é possível todos se adequarem para um melhor atendimento.

O cliente é e sempre será o foco. O objetivo de todo serviço prestado é a satisfação do cliente. E na busca desta satisfação muitas empresas gastam verdadeiras fortunas para surpreender. Querem dar ao seu público alvo o "plus", aquilo que o próprio cliente não espera, querem surpreender, demonstrar que ele, o cliente, é a peça mais importante em seu negócio. Se os taxistas compreenderem que surpreender é ir além, se compreenderem que em uma sociedade que muda e evolui o tempo todo sair da zona de conforto é a única alternativa de alcançar o sucesso, aí terão entendido a importância do aplicativo "Uber".

Vale ainda ressaltar que a concorrência gera melhorias no serviço prestado e só se opõe às novidades que o mercado oferece aqueles que ganham rios de dinheiro com as imensas frotas de táxi que possuem e aqueles que temem sair da zona de conforto.

Já o Estado, este começa a babar diante da possibilidade de arrecadar com as movimentações financeiras que a médio e longo prazo serão geradas pelo aplicativo "Uber".

Quanto aos indivíduos que restringiram a liberdade do motorista, inclusive agredindo-o e posteriormente subtraíram seu veículo, sob o pretexto de que os motoristas do aplicativo precisam de regulamentação, deveriam ser lembrados que seus atos já foram regulamentados e encontram-se logo ali, no Código Penal Brasileiro.

(Foto do G1 São Paulo)

Uber X Txi - O Lado Obscuro da Zona de Conforto

30 Comentários

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Pegar um taxi no RJ por exemplo é uma loteria , pode vir um motorista cordial, ou simplesmente um suicida que não preza pela própria vida , que dirá do passageiro. Há também os que simplesmente se recusam de levar um passageiro caso a corrida seja curta, ou esteja levando compras. Independente da água ou bombom , o que importa mesmo é saber que não se corre o risco de sofrer um acidente por conta de irresponsáveis. continuar lendo

Francisco, tens razão. Em São Paulo eles podem cobrar a bagagem e se for uma corrida para um município vizinho em que o taxista não retornará com o passageiro pode acrescer em 50% o valor total da corrida. Além de que quando chove tem - se a impressão que eles desaparecem para o mundo de Narnia. Acho que dá para coexistir, devendo a escolha ficar a cargo do consumidor final. continuar lendo

Bem lembrado Wellington , no Rio as práticas de cobrar por bagagem , ou cobrar uma taxa pelo deslocamento até outro município também existem, e existe uma ainda mais interessante que usar a bandeira 2 nas situações em que o carro precise subir uma ladeira íngrime.

Práticas abusivas pra dizer o mínimo ... continuar lendo

Francisco, cobrar bandeira 2 por subir ladeira vai além da minha humilde compreensão kkkkkk. Imagina se a moda pega em algumas cidades de Minas Gerais? continuar lendo

Parabéns pela excelente publicação. continuar lendo

Roberto, muito obrigado pela cordialidade. continuar lendo

Wellington gostei de sua matéria. A livre concorrência de mercado é o que está acontecendo. Os taxistas não podem esquecer de que a rua não lhes pertence. Se as agressões continuarem como estão, daqui a pouco ficará perigoso sair às ruas com seu carro particular, pois os taxistas não vão gostar. Vão agora fazer um decreto que todos devem andar exclusivamente de táxi? Os taxistas precisam se adaptar à realidade do mercado, por exemplo: a) tomar banho todo dia; b) se apresentar com roupas limpas; c) carro limpo; d) não colocar música alta no carro; e) tratar o passageiro com cordialidade e por aí vai uma série de boas maneiras a fazer parte do diaadia do taxista e que já faz parte da vida do Uber continuar lendo

Ana, obrigado pelo elogio. Penso como você, que se estamos em um mercado competitivo e de livre e concorrência devemos nos adaptar, nos aperfeiçoar cada vez mais e atender as exigências do mercado. Cabe ao consumidor final escolher o serviço que melhor atende às suas necessidades. continuar lendo

Infelizmente a maioria dos taxistas estão longe disso Ana! continuar lendo

a cruzada do obscurantismo prossegue: http://www.infomoney.com.br/minhas-financas/consumo/noticia/4210727/netflix-supera-band-redetv-recebe-ameacas-empresas continuar lendo

Belíssimo exemplo. Se bem que Já tem magnata das telecomunicações dizendo que alguns aplicativos como o whats é pirataria kkkk. Aos amigos tudo, aos inimigos a lei. continuar lendo